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Esquerda e centro articulam para ressuscitar Taques para a política

A esquerda e o centro da política mato-grossense, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articulam para ressuscitar o ex-senador e ex-governador Pedro Taques, que atualmente vive no limbo e no ostracismo da política. Essa articulação pretende lançar Taques ao Senado, possivelmente com o empresário e secretário do Ministério da Agricultura Carlos Augustín, o Teti como o seu suplente, intento que dificilmente terá êxito nas urnas e deixa claro que, por ingenuidade ou intencionalmente, quer ressuscitar o ex-governador para a política.

Essa mesma frente política articula o atual senador e Ministro da Agricultura Carlos Fávaro para uma das 2 vagas em disputa ao Senado e ao mesmo tempo que tenta ressuscitar Pedro Taques, que disputou a eleição suplementar para o senado em 2020, quando ainda era governador reeleito de Mato Grosso e ficou em sétimo lugar no páreo, de um total de 11 candidatos, sendo que os que ficaram atrás de Taques eram nomes completamente inexpressivos politicamente.

Nessa eleição, ele obteve apenas 71.109 votos contra os 369.903 votos obtidos por Fávaro, que ficou com a vaga de senador então. Lembrando que em 2010, quando se elegeu senador, Taques obteve 708.440 votos. Ou seja: nesse pleito obteve pouco mais de 10% dos votos que tivera anteriormente, demonstrando claramente que havia decepcionado o eleitorado, que o queria fora da política.

Depois disso, Taques conheceu o ostracismo e a população tinha a sensação de que ele estaria definitivamente fora de qualquer disputa eleitoral, principalmente para uma disputa majoritária ou a algum cargo importante cenário político mato-grossense.

Outro fato a ser rememorado é que ele sempre foi um inimigo histórico da esquerda brasileira e mato-grossense, tendo sido um dos principais adversários políticos da ex-presidente Dilma Rousseff no Senado e já no Governo do Estado se posicionou frontalmente contra mobilizações de trabalhadores, principalmente de professores da rede estadual, chegando inclusive a invadir ônibus do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público, o Sintep, para demover os professores de usarem camisetas vermelhas e que estes não deveriam fazer greve, porque a greve prejudicavas próprios professores, quando na verdade eles lutavam por melhorias salariais e na estrutura de trabalho.

Agora, do nada, Pedro Taques reaparece no cenário político trazido pelo ex-prefeito de Rondonópolis José Carlos do Pátio e se “converte” à esquerda, se filia ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e a esquerda mato-grossense, liderada pelo PT, e pelo centro, do PSD de Fávaro, começam a subitamente sofrer de amnésia e articular para ressuscitar esse nome, que é historicamente, relembrando mais uma vez, inimigo das esquerdas, e tentam lançá-lo para a segunda vaga ao Senado.

O argumento da falta de outros nomes competitivos para essa disputa poderia ser usado, caso não houvesse nomes como o do próprio Teti, que ainda que não tenha um cargo eletivo, é um dos principais nomes de confiança do presidente Lula no Governo Federal e tem um perfil técnico e sem máculas, sendo um excelente quadro para disputar essa segunda vaga do senado na titularidade.

Mesmo que a prioridade seja eleger Carlos Fávaro, o que é nítido, não é o caso de tirar Taques do ostracismo para que ele volte a ter visibilidade e em breve volte a ser inimigo das esquerdas e do PT, principalmente.

De outro lado, caso Taques consiga se eleger, certamente deve exercer o mandato e pode voltar a assumir as suas caraterísticas políticas que o construíram e deve ser um crítico, verdadeira pedra no sapato do Governo Federal, como já o fez anteriormente.

Do ponto de vista do eleitorado em geral, é um grande erro estratégico da parte do PT se organizar para ressuscitar um inimigo histórico escanteando, deixando de lado ou subvalorizando um nome da importância de Carlos Augustín e outros.

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela de roteiro ruim.