Quem acompanha a política mais de perto está acostumado a ver políticos terem que vencer adversários externos e às vezes até concorrentes internos para conseguirem consolidar candidaturas a cargos importantes. Mas às vezes essa “luta” por uma candidatura ganha contornos que beiram o inimaginável.
Esse é o caso do senador Wellington Fagundes, que praticamente não tem resistência externa, sendo um nome de consenso entre seus adversários como um dos mais fortes para disputar o cargo de governador em 2026. Mas ainda assim, ele enfrenta a resistência dentro do seu próprio partido, o Partido Liberal (PL), que se tornou um reduto da extrema direita e não o vê como um radical “bolsonarista”, o chamado pelos extremistas de “melancia”, uma alusão à fruta que é verde por fora e vermelha por dentro.
É válido lembrar que Wellington Fagundes é fundador no estado da sigla e um dos membros mais antigos do PL do Brasil, tendo sido inclusive o responsável por convidar o ex-presidente Jair Bolsonaro a se filiar na legenda.
E na eleição de 2018 para o Governo do Estado Wellington Fagundes ficou em segundo lugar, com 19,56% dos votos e só perdendo para o ainda governador Mauro Mendes, que se elegeu na ocasião. Isso com um partido praticamente sem representantes de peso no estado, quadro bem diferente de agora, com o PL governando as principais cidades do estado.
Na atual conjuntura, ele aparece em várias pesquisas eleitorais liderando o quadro sucessório e desponta como um dos favoritos para vencer a eleição em 2026. Mas ainda assim, enfrenta a resistência dentro do seu próprio partido, que há pouco tempo chegou a lançar outros nomes com o intuito basicamente de derrubar Wellington do seu intuito e atualmente luta para apoiar candidato de outro partido, no caso o vice-governador Otaviano Pivetta, que é do Republicanos, ao invés de apoiar e consolidar a candidatura de Wellington Fagundes.
Não é um caso raro na política um político não ter apoio do seu próprio partido, mas enquanto outras siglas procuram nomes fortes para entrar na disputa, grande parte do PL simplesmente trabalha para obstruir uma candidatura com chances reais de vencer a eleição em 2026.
É uma situação difícil para o senador, que se vê preterido em seu próprio partido.
